Capítulo 4: Cuidado integral em saúde mental de populações expostas à violência
Sinopse
A saúde mental constitui um dos campos mais complexos e politicamente disputados das
ciências da saúde no Brasil contemporâneo. Este artigo apresenta uma revisão integrativa
da literatura sobre cuidado integral, humanização dos atendimentos e promoção do bemestar psicológico, com recorte especial para os desafios enfrentados por profissionais em
contextos de alta exposição ao sofrimento, com destaque para os trabalhadores de
segurança pública. A revisão seguiu o protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for
Systematic Reviews and Meta-Analyses), contemplando buscas nas bases SciELO,
PubMed/MEDLINE, PsycINFO e BVS, no período de 2004–2026. Após um processo
seletivo rigoroso, 47 publicações foram incluídas na síntese final. Reduções significativas
na sintomatologia depressiva, em alguns casos, variando entre 40 e 50%. A aliança
terapêutica apresenta maior contribuição relativa para os resultados do que as técnicas
específicas empregadas, já o modelo biomédico, apesar de hegemônico, apresenta
limitações estruturais graves quando aplicado ao sofrimento psíquico. O artigo também
examina criticamente as barreiras institucionais à implementação do cuidado
humanizado, em especial nas corporações policiais militares, onde a cultura de virilidade
e o estigma produzem prevalências de TEPT, prevalência descritas na literatura variando
entre aproximadamente 9% e 19%, sem a correspondente oferta de cuidado. Propõe-se
um conjunto de intervenções práticas, que vai de protocolos de escuta qualificada a
programas institucionais de saúde mental para profissionais de risco. Conclui-se que
humanizar o cuidado não é opcional; é uma exigência epistemológica, ética e clínica de
alta eficácia comprovada.
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